FONPLATA

Miércoles, 06 Junio 2018 14:32

A economia do futebol: os campinhos dos bairros, de celeiros de craques a escolas de valores

A economia do futebol: os campinhos dos bairros, de celeiros de craques a escolas de valores Huffington Post/ Pixabay

*Por Juan Notaro 

Acabamos de viver um mês de fervor, em escala global, em torno do futebol. A Copa do Mundo 2018 na Rússia deixou algumas tristezas, mas também muitas emoções, especialmente nos países da Bacia do Prata que participaram do torneio: Argentina, Brasil e Uruguai.

Casualmente, ou talvez nem tanto, estes também são os países líderes na “exportação” de jogadores de futebol, sendo o Uruguai, que está em primeiro lugar no ranking de jogadores transferidos anualmente em proporção ao total de habitantes do país (96 para cada um milhão de uruguaios).

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De acordo com números recentes do CIES Football Observatory, no último ano saíram do Brasil mais de 1.200 jogadores, principalmente com destino a Portugal; em torno de 760 da Argentina e tendo o Chile como principal destino; e mais de 320 uruguaios, principalmente rumo a clubes argentinos.

Por outro lado, o Paraguai aparece também neste ranking quando é medida a quantidade de jogadores “exportados” para cada um milhão de habitantes, com 22 jogadores de futebol enviados ao exterior para cada milhão de paraguaios, totalizando 144 expatriados, o que o posiciona na 14ª colocação em escala mundial.

A Bolívia, embora tenha muito bons jogadores internacionais, parece estar posicionada mais do lado da demanda. De fato, é o terceiro país latino-americano em porcentagem de jogadores estrangeiros (25%), atrás do México e do Chile, ainda segundo o CIES Football Observatory.

Esses números nos levam a conclusões evidentes: a primeira, que o futebol é o esporte número um para os cinco países da Bacia do Prata. E a segunda, é que com tanto interesse e com esse volume de transferências, é uma atividade que, com certeza, impacta a economia.

Os números não são precisos nem muito atuais, nem as metodologias de medição são as iguais para todos os países, porém, o futebol profissional - em sua globalidade - pode representar uma contribuição de 0,6% para a economia de um país, como é o caso do Uruguai, e até de 2,2% no Brasil ou na Argentina (embora neste último país as medições incluam indicadores como o consumo de comidas e bebidas em bares e restaurantes durante os jogos). E, sem dúvida, a classificação para a Copa do Mundo gera ainda maior impacto na economia dos países.

Deveríamos, então, priorizar políticas que possam aumentar o impacto do futebol nos resultados do desempenho econômico de um país? Ter muitos craques para transferi-los por bons preços e, além do mais, aumentar as chances de se classificar para a Copa?

Privilegiar esta abordagem, que sem dúvida pode ser muito relevante, significaria em grande parte maximizar o impacto que têm o futebol e os esportes em geral como ferramentas para promover valores, gerar maior inclusão social e equidade.

Aqui é importante levar em conta a opinião de Simon Kuper, autor de Soccernomics - junto com Stefan Szymanski –, livro que aborda o futebol a partir de uma perspectiva econômica, mas também sociológica e antropológica.

Em entrevista para a revista Letras Libres, Kuper sustenta que, em grande medida, o sucesso no futebol está ligado à disponibilidade de locais para praticá-lo e não necessariamente à “paixão” que o esporte possa gerar em um país ou ao número de craques de determinada nacionalidade que vão jogar no exterior.

No entanto, Kuper vai além e afirma que na Europa “o Estado constrói estádios de futebol, fomenta o futebol e também o bem-estar”. Isto é, incentiva o esporte, oferece locais seguros para praticá-lo nos quais, além do mais, promove um espaço social para compartilhar e que vai além das diferenças sociais ou ideológicas.

Então, o caminho para uma sociedade melhor (e com melhor futebol) é, então, construir muitos campos de futebol? Não necessariamente, explica Marta Laverde, da Fundação para a Reconciliação da Colômbia e ex-Especialista em Educação do Banco Mundial.

“Não é o jogar apenas pelo jogo, é preciso ter um propósito”, afirma, a respeito de um projeto de Futebol e Paz que liderou na Colômbia. Acrescenta, ainda, que é isto o que muitas organizações fazem em todo o mundo, quando usam o futebol como meio para melhorar as sociedades.

Trata-se, portanto, de uma combinação de futebol (com bons locais para praticá-lo) e valores, como é o caso, por exemplo, da Academia Tahuichi em Santa Cruz de la Sierra, nossa cidade sede, e de outras organizações do mundo todo.

Con esta Academia o Fonplata pos em prática uma aliança no ano passado para a realização do Mundialito, que reuniu mais de 300 jogadores da categoria Sub-20 de mais de 20 países. Com o Ministério do Esporte da Bolívia, que desenvolve um importante trabalho de apoio e de criação de condições para facilitar a participação de jovens em diversas atividades esportivas, coorganizamos, também, um torneio de futebol feminino Sub-17 com participação de times de seis regiões do país.

Também em outros países, como o Brasil, muitos de nossos projetos de desenvolvimento urbano incluem a construção ou a melhoria de locais para praticar esportes, porque acreditamos que os espaços públicos cuidados e preservados são aliados do desenvolvimento social.

“A atração única do futebol é sua capacidade de motivar e transmitir de forma eficaz mensagens importantes”, destaca Jürgen Griesbeck, Fundador e CEO do Street Football World (Futebol com Coração), que usa o esporte para abordar temáticas como a violência urbana, a exclusão e jovens em situação de desemprego.

Se oferecermos campos de futebol a nossas crianças e jovens, junto com essas mensagens, daqui a dez ou quinze anos teremos não apenas tantos ou mais craques que agora, mas também, o que é muito mais importante, melhores sociedades.

*Texto publicado originalmente na coluna mensal de Juan Notaro no Huffington Post.

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