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Uma cúpula para construir o mundo que virá

Ph. William_Potter via Getty Images

Bancos de desenvolvimento buscam compromissos globais para que a prosperidade deixe de ser apenas uma promessa.

Juan E. Notaro
Presidente Executivo do FONPLATA

Há um grupo de instituições cujos ativos equivalem a mais do que o dobro do que custaria comprar Apple, Microsoft, Alphabet (controladora da Google), Amazon e Facebook. Um total de US$ 11,2 trilhões, dos quais US$ 2,3 trilhões são investidos por ano.

As instituições a que me refiro são bancos públicos de desenvolvimento, organizações com personalidade jurídica independente e autonomia financeira, que fornecem capital de risco para financiar projetos que geralmente não são atraentes ou lucrativos para os bancos comerciais.

Esses bancos podem ser nacionais (quando seu escopo é um país inteiro), subnacionais (quando operam em uma província, estado ou departamento), regionais, internacionais (compostos por dois países) e multilaterais (com vários países membros).

Existem cerca de 450 dessas instituições no mundo. As mais importantes na América Latina e no Caribe são BID, CAF - Banco de Desenvolvimento, BCIE, e FONPLATA - Banco de Desenvolvimento, a instituição multilateral que tenho a honra de presidir.

Esses bancos têm um mandato que visa principalmente compensar as inconsistências do mercado. Por esse motivo, as suas principais áreas de financiamento são MPME, zonas rurais, mulheres, crianças e obras de infraestrutura, entre outros setores e grupos vulneráveis.

A recuperação econômica pós-pandemia exigirá que esses 450 bancos, com mais de US$ 11 trilhões em ativos e um mandato a favor dos mais vulneráveis, façam esforço coordenado para aumentar seu impacto sobre as tarefas pendentes.

É por isso que a Federação Internacional de Instituições Financeiras e o Clube Internacional de Finanças para o Desenvolvimento nos convidaram para um encontro virtual ou presencial de 10 a 12 de novembro em Paris.

O evento se chama “Finance in Common” (Finanças em Comum) e é a primeira cúpula mundial de todos os bancos públicos de desenvolvimento do planeta. O objetivo é construir nova coalizão global para responder aos desafios econômicos do planeta.

Muitos desses desafios são anteriores à pandemia. Outros estão associados ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), uma ambiciosa agenda global para avançar em direção a um mundo mais justo, inclusivo e sustentável.

A desaceleração econômica associada às medidas de confinamento na esteira da COVID-19 pode significar para muitas nações em desenvolvimento o não cumprimento dos ODS, ou pior, um retrocesso nos ganhos sociais fundamentais.

Os organizadores da cúpula acreditam que os bancos públicos de desenvolvimento sabem como conectar as necessidades de curto prazo com as transformações de longo prazo e podem redirecionar os fluxos financeiros para os objetivos de desenvolvimento sustentável.

A reunião será precedida por conferência de acadêmicos (9 e 10 de novembro), na qual instituições de ensino de alto nível apresentarão pesquisas e ideias sobre como os bancos públicos de desenvolvimento podem melhorar suas finanças no longo prazo.

Este é um encontro sem precedentes na história dos bancos de desenvolvimento, assim como não tem precedentes o enorme desafio que enfrentamos como instituições e como humanidade.

Será também um passo em direção à união de toda a comunidade financeira em torno da ação pelo clima e os ODS, e abrirá o caminho para os eventos cruciais de 2021: a Cúpula do Clima (COP26), a Cúpula da Biodiversidade (COP15) e o Fórum Geração Igualdade.

Com ativos de mais de US$ 11 trilhões e um investimento anual de mais de US$ 2 trilhões, os bancos de desenvolvimento podem alcançar muito, se trabalharmos de forma coordenada e dentro do contexto dos ODS das Nações Unidas.

É um esforço que conta com o apoio do FONPLATA – Banco de Desenvolvimento e no qual estou pessoalmente empenhado, como seu presidente executivo. É por isto que estaremos em Paris. Para ajudar a construir o mundo vindouro.

Texto publicado originalmente na coluna mensal de Juan E. Notaro no Huffington Post.

05/10/2020