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I FÓRUM DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO: UM COMPROMISSO COM O FUTURO

Ph.: FONPLATA

Juan E. Notaro – Presidente Executivo do FONPLATA

Há alguns dias, encerramos em Montevidéu o I Fórum de Integração e Desenvolvimento, que organizamos junto com a LatinFinance. O evento foi uma oportunidade para analisar as principais questões relacionadas à integração entre nossos países, especialmente no contexto da recente renovação de autoridades em alguns países da região.

O primeiro resultado que quero destacar, e o que mais me satisfaz pessoalmente, é que o interesse e o impulso a favor da integração ainda estão presentes na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e isso foi afirmado pelas autoridades e representantes desses países durante o Fórum.

O segundo é que ficou comprovado que existe um grupo de instituições e profissionais prontos para lançar iniciativas e explorar novas ideias para consolidar a integração, tanto fisicamente quanto em relação a leis e políticas que venham a favorecer o fluxo de comércio e serviços entre todas essas nações.

Penso, por exemplo, no que foi discutido durante o primeiro dia, em que bancos e agências de desenvolvimento da região enfatizaram a importância de estabelecer alianças e fortalecer as já existentes entre nossas instituições, a fim de oferecer soluções eficientes, adaptadas às necessidades de nossos países membros.

De fato, o FONPLATA – Banco de Desenvolvimento firmou parcerias com BID, MERCOSUL, CAF, Banco Europeu de Investimento, Agência Alemã de Desenvolvimento e Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, esta última assinada durante o evento em Montevidéu.

O objetivo dessas alianças é aumentar a capacidade de crédito para financiar as operações de desenvolvimento, mas também fortalecer as instituições para que possam oferecer empréstimos em melhores condições aos seus clientes.

Durante o painel “Desenvolvimento, Desafios e Oportunidades no Cone Sul”, que tive a honra de moderar, representantes dos governos membros do MERCOSUL ofereceram sua visão sobre como orientar políticas públicas para fortalecer produtividade, emprego e investimento.

Os participantes também destacaram as possibilidades de coordenação e trabalho conjunto que esse mecanismo de integração pode gerar, principalmente à luz dos desafios colocados pela mudança do clima e pelos avanços tecnológicos.

Benigno López, Ministro das Finanças do Paraguai, explicou como em seu país sofreram secas, inundações e incêndios no último ano, sinal claro de que os países precisam trabalhar para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Marcos Troyjo, Vice-Ministro de Comércio e Relações Internacionais do Brasil, falou da necessidade de os bancos de desenvolvimento agirem como ponte entre a manufatura e a “mente-fatura”, para a qual a educação para o desenvolvimento de novas habilidades será essencial.

Azucena Arbeleche, Ministra da Economia e Finanças do Uruguai, destacou duas questões que acredita deveriam estar no programa de trabalho da região: ter recursos humanos qualificados para enfrentar as mudanças que estão por vir e acompanhar os setores que serão prejudicados por esses movimentos a favor da integração e da globalização.

Em termos semelhantes, Gustavo Béliz, Secretário de Assuntos Estratégicos da Argentina, falou em concordância com o que foi declarado pela Ministra Arbeleche e acrescentou que devemos trabalhar como bancos, mas também como plataformas de desenvolvimento, e enfatizar a superação da desconexão com os setores científico e tecnológico.

Como se pode ver, é uma lista importante de tarefas e questões pendentes em que bancos e instituições de desenvolvimento devem começar a trabalhar imediatamente e em conjunto com países e mecanismos de integração, como o MERCOSUL.

Igualmente úteis e produtivos foram os outros painéis do Fórum, nos quais discutimos os desafios sociais para a América Latina, integração e comércio e a infraestrutura de energia para o futuro.

Além de compartilhar nossa visão comum de uma América Latina com prosperidade e desenvolvimento, estabelecemos um caminho a seguir, um compromisso conjunto e, o mais importante, linhas concretas de ação para colocar em prática.

O I Fórum de Integração e Desenvolvimento do FONPLATA – Banco de Desenvolvimento e da LatinFinance foi, sem dúvida, uma oportunidade de renovar o compromisso de nossos países com um futuro inclusivo, com menos pobreza e mais oportunidades.

Texto publicado originalmente na coluna mensal de Juan E. Notaro no Huffington Post.

27/03/2020

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